Registos quase magnéticos sobre quase tudo, sem se dizer rigorosamente nada.
Nota: para todos aqueles que não comentem os posts, a tortura é serem obrigados a adquirir o livro "Desconstrutor de Neblinas", de Domingos Lobo, autografado pelo próprio.

terça-feira, 13 de março de 2007

DISCO DE BOLSO

Heróis ao Mar

Andam por aí, de novo, redivivos uns pequenos autodenominados Heróis do Mar. Por mim, podem deitar-se a afogar.
Nos anos oitenta do século passado, as pessoas decentes desta pátria à beira mágoa prantada, andavam a tentar que o Cavaco (sim, sim, esse que hoje é presidente, e faz discursos, que nos causam calafrios, a lembrar o Tomás facho) não nos entregasse de mão beijada e a preço de saldo ao capital transnacional (o que, curiosamente, veio agora a acontecer com estes chuchas que nos desgovernam) o grupito reaça Heróis do Mar (um pouco abichanados, convenhamos) vestiam armaduras e desenterravam do bolor salazarento “as armas e os barões assinalados”, para ver se o povão mudava de azimute e ia no engodo de se deixar enrolar à má fila.
Os pequenos (agora já cinquentões serôdios a fingir de betinhos reciclados em formol) atacam de novo. Mal, claro e a cheirar a necrotério que se farta.
Abram as janelas!
Atirem esses heróis ao mar!...

José

sexta-feira, 9 de março de 2007

UBI VERITAS? NO BOLSO?

É algo a que não se pode ficar indiferente. Dois acontecimentos não muito agradáveis, no espaço de uma semana, na pacata Benavente. Ficou estipulado, tipo código de honra, que não se falaria neste Blog de assuntos locais, mas neste caso permito-me abrir uma excepção, tal a delicadeza dos casos.
Tal é o meu espanto quando leio na comunicação nacional e regional que um pseudo-pedófilo atacara na minha terra. Um puto de 19 anos, que já tem idade para ter juízo, tenta molestar uma criança de 5. O que está mal neste quadro absolutamente irreal? Que o jovem já tinha tentado o mesmo com uma menina há um ano atrás, mas que ficou pelas ruas a habitar junto a uma escola primária. Que cirandava por aí ao sabor do vento, sem estudar nem trabalhar. Que existem 7 mulheres para cada homem, mas que nem isso estimula este jovem. Entre talvez outras coisas mais, que desconheço e até me sinto mais confortável assim, chegamos à parte de perguntar de quem é a culpa. O quadro familiar pode ter culpas, mas não se pode julgar o que se desconhece. O jovem sim, pode e deve julgar-se e perceber as perturbações que passam por aquela mente inócua. Para já, está “engavetado” e lá dentro, se outros não o são, este não vai ser nada perdoado no campo de trás. Para já, as nossas crianças estão mais seguras.
Novamente na comunicação social nacional e regional e com honras de televisão, o pseudo-assalto à Escola Primária de Benavente. Homens encarapuçados ameaçam funcionaria com navalha e fogem com cerca de 2000 euros. Entram e saem sem ninguém ver... Hummm... Para os que conhecem a Primária nº 1 é estranho não!? Em todo o caso, foi preciso coragem para fazer um assalto paredes meias com a esquadra da GNR. A culpa da criminalidade aumentar deve-se ao mundo em que vivemos, onde os pobres ficam cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. “A fome e o frio põem a lebre ao caminho”, e mais não vale a pena dizer. Vamos ver como se deslinda este mistério na Escola.

Passaram assim oito dias em que Benavente andou pelas bocas do país, infelizmente pelas piores razões. Aguardemos que isto melhore.

Pedro

PERISCÓPIO DE BOLSO

Nós, por cá todos mal

Espreitemos a sociedade portuguesa – esta pós-modernice pindérica e de arrabalde coxo - e ficamos atolados de mediocridade até aos gorgomilos.
Dá-nos vontade de fugir para Patagónias inventadas ou para estelares paraísos nos quais as almas andam soltas e têm espaço bastante para não se atropelarem umas às outras na ânsia de chegar primeiro ao sol.
Cá na terra, e neste pântano que já foi jardim à beira-mar (os publicitários do salazarismo eram uns exagerados) mas que o ex-primeiro Guterres rebaptizou com o pragmatismo próprio dos eleitos da opus-dei, vamos de mal a pior:
O lixo dos programas televisivos enche-nos o canto comunitário da sala de montureira infétida;
Os jornais apregoam cada vez mais alto e já sem disfarce os cantos de aves de rapina dos respectivos donos;
Cercam-nos as ruas, as estradas e os gabinetes das repartições com Big-brothers de olho atento ao menor gesto de vida autónoma;
Os poderes submetem-nos à mediania mais abjecta e à dependência agradecida;
O Salazar neste país cinzento e triste, arrisca-se mais uma vez a ser arvorado em melhor português do ânus (se ele é português, eu quiero ser espanhuel - pelo menos sempre ganhava melhor e tinha mais espaço para me peidar à vontade);
E o Sporting chega sempre à Páscoa (terrível período bíblico que nos reduz a meros comparsas cegos e roucos de coro de tragédia grega) a tropeçar pelos últimos classificados no campeonato e a contentar-se com um mísero terceiro lugar.
Assim, compatriotas meus, não dá!
Fechemos a porta e voltemos a descobrir a Índia (há sempre uma índia a descobrir dentro de todos nós) nem que seja a nado.
Aproveitemos o Sol, as gajas (ou gajos, conforme os gostos) e façamo-nos ao mar. Já!!!!!!

José

terça-feira, 6 de março de 2007

HUMOR DE BOLSO

Diz que o «Hora H» é uma espécie de programa de humor, mas na verdade é fraquinho, fraquinho e talvez nunca se consiga assumir no novo panorama humorístico nacional. Apetece perguntar o que é feito do Herman José dos tempos do «Tal Canal», ou mesmo do mais recente «Herman Enciclopédia»? Há quem diga que o tipo de humor é o mesmo, só que a evolução registada neste campo nos tornou adeptos de piadas mais refinadas e cada vez menos primárias. Na verdade é um sacrifício nostálgico conseguir ver um programa inteiro e a ideia que dá, é que os “sketches” são feitos às três pancadas e sem qualquer preparação. O ainda maior humorista português, apesar de não necessitar, devia fazer por continuar a merecer este estatuto.

post scriptum - Não têm saudades dos tempos em que o Herman era o Herman, sem cabelo loiro e com algum pudor em se assumir como panasco?

Pedro

segunda-feira, 5 de março de 2007

BOLSO À DIREITA

A COMUNICAÇÃO SOCIAL TEM DONO

A Censura foi, aparentemente abolida, enquanto instituição vigiada e tutelada pelo Estado, após Abril de 1974. Um formalismo, como outros que se lhe seguiram: Liberdade, a Democracia, o Parlamentarismo, etc.
Cedo o Capital, com os diversos governos a servirem-no na peugada estratégica, entenderam que para os seus lautos interesses (e aqui o adjectivo lauto deve ser entendido nas suas vertentes mais amplas) necessário se tornava apossarem-se dos média que o poder, sempre cúmplice da ganância capitalista, punha ao seu dispor.
Cavaco Silva, esse arauto impoluto do liberalismo mais serôdio, escancarou o baú e entregou à gula do capital 2 canais de televisão 2, uma enormidade de espaço hertziano e alguns jornais.
O velho jornalismo, o que se fazia em defesa de ideais e de valores, ia sendo paulatinamente relegado para o sótão dos trastes inúteis, arrumadinhos nas redacções no mais soturno dos cantos, nos arquivos, ou pendurados na prateleira junto às embalagens de naftalina, à espera da reforma ou da morte (e esta última vinha mais a carácter) porque para além da poupança óbvia, sempre impedia esses jurássicos de algum atrevimento menos conforme com os novos desígnios. Entretanto, as diversas universidades abrem cursos de jornalismo a torto e a direito(a) (oh Deuses, como polulam, como venenosos cogumelos, os cursos de jornalismo em tudo o que é privada – tanto nas que apenas servem para lavagem de várias coisas, cérebros inclusive, até as que visam o lucro rápido e com o apoio dessa estranha coisa a que se chamou projecto de Bolonha).
Neste espaço armadilhado, o jornalismo crítico e independente deixou de ter lugar. Prova disso vem no jornal público de 02 de Março, na coluna “sobe e desce”, na qual o escriba de serviço (M.C.) faz apreciação crítica de posições tomadas por Fernando Rosas em relação à Opa que pôs em confronto os interesses de Belmiro de Azevedo (dono do jornal Público) e a Portugal Telecom. Fernando Rosas limitava-se, em artigo de opinião, a defender os interesses mais amplos de todos nós e a rejeitar, naturalmente, o chico-espertismo do grande capital. Tanto bastou para que o escriba usasse contra Rosas toda a artilharia pesada, chamando-lhe “defensor da economia planificada da URSS” e, até, “estalinista”. Logo o Rosas, coitado, que nem sequer trostkista é. Vale tudo para defender o tacho!
Ainda sobre a OPA e os mecanismos de informação “independente” do nossos média de referência, analisem a primeira página do Público de 3 de Março, após a derrota da estratégia de Belmiro e Cia – um mimo!
Liberdade de imprensa, em Portugal? Bah!

José

COMENTÁRIO NO BOLSO

É com relativa satisfação que me regozijo com o primeiro comentário deixado no Conversas de Algibeira. Passado um mês, este deixou de ser um espaço amorfo e passou a ser mais apático (estamos a melhorar). Curioso foi que o primeiro e único comentário deixado até agora fora do bolso, surgiu num tema com título sexual, mas cujo conteúdo não coloca a tenda de pé.
Em todo o caso e fora de brincadeira, obrigado pela força Clarisse. Continuaremos a escrever, o Zé nem por isso, o Luís só quando a palha arrefece; mas pl’o menos eu tentarei não deixar este blog cair em esquecimento.
Agora para os curiosos que estão aí a querer saber quem é a Clarisse... é uma amiga a quem há muito muito tempo, roubei um beijo (na face claro!) no cimo a Torre Eiffel... Paris, ah Paris!...
Ficaram mais elucidados?

Pedro