"Editado no ano passado e quase completamente ignorado pela crítica jornaleira e programas literários diversos, recupero aqui o mais que recomendável livro de contos de Domingos Lobo, editado pela Cosmos.O manifesto estético fica definido nos três relatos iniciais: a perfeição da escrita em Os gatos pardos e as chuvas de Janeiro, o humor corrosivo e acutilante de A estranha guerra do Largo do Intendente, e o murro no estômago de Pena capital. Há ainda espaço para um pequeno e sublime texto chamado A flauta, e para um título extraordinário: Monólogo do corcunda frente ao espelho quebrado das mil e uma noites.De humor corrosivo e murros no estômago se faz também Os navios negreiros não sobem o Cuando (ler um excerto aqui), romance do autor sobre a guerra colonial, em que os segundos se vão sobrepondo em crescendo ao primeiro, tirando-nos da cara o sorriso e substituindo-o, quase imperceptivelmente, pelo esgar da revolta e da impotência. Como apreciação comparativa, e sendo a temática idêntica, não fica nada atrás dos primeiros livros de Lobo Antunes, nomeadamente de Os cus de Judas. Nada mesmo. Antes pelo contrário."
Retirado do Blog A Escada de Penrose